Sempre tive uma mania chata de não me livrar de minhas manias. De gostar de mim como sou. Gosto da minha auto-crítica, minha insegurança, meu mau uso das palavras e até da minha falta de tato em algumas ocasiões. Sim, sempre gostei de tudo isso e nunca quis mudar por estar bem assim. Por essa mania, sempre mantive meu ponto de vista sobre tudo imutável, embora muito flexível. Contraditório? Não, é exatamente isso. Mesmo sempre aberta a novas opiniões, sempre tive opinião sobre tudo, e até hoje gosto delas. Talvez esse seja meu maior problema. Gostar demais de mim como um todo. Pode parecer hipocrisia minha, já que a toda oportunidade aponto meus erros. Mas eu também gosto disso e me sinto bem comigo mesma. Não faço questão de explicar meu modo de pensar ou de agir a ninguém. Não importa quanto eu espere ou nutra esperanças, ninguém nunca vai conseguir entender sem que eu explique. Ou mesmo que explique, talvez. Mas continuo gostando disso tudo, mesmo que os outros não. Mesmo que me interpretem errado, ou mesmo que acertem, eu gosto de cada mínimo detalhe da minha personalidade. E pra quem diz que amor-próprio é fundamental e tal, esquece-se das exceções. Mas não é sobre isso que quero falar. Essa "confissão" foi só pra introduzir o verdadeiro assunto que queria tratar. Pela minha dificuldade em largar velhos vícios e opiniões, somado ao meu orgulho - e olha que é grande -, eu escolhi pra minha vida algo que talvez não seja o que eu quero mais. Há 6 anos atrás, sozinha num quarto de hotel no norte do país, ao sol das 10 e com esboços meus espalhados pela cama que chamei de minha por poucos dias, decidi meu futuro. Mantive-o com convicção até poucos meses atrás. Mas não quero mais me enganar. Mesmo que eu ainda siga esse caminho que já comecei a traçar, quero deixar explicíta minha confissão a mim mesma. Desde ano passado, descobri uma verdadeira paixão por escrever. Uma paixão pura e tranqüilizante. Não como a de desenhar, que só me faz fugir de distúrbios e pensamentos indesejáveis. É como um marido e um amante. Fiquei por 6 anos mergulhada nas fantasias do amante, e só agora me dei conta do amor pelo marido. Eu posso não escrever excepcionalmente bem, mas meus desenhos também não são nada excepcionais. Longe disso por sinal. E já que este virou um post de confissões, acrescento algo novo. Nunca fui realmente boa em algo. Sempre gostei de fazer tudo, e sempre fui mais ou menos em tudo. Mas quando paro pra pensar, não me sinto mal. Me forço à culpa algumas vezes, mas é pra ver se finalmente tomo uma atitude. Bom, se eu sempre quis fazer de tudo ao invés de me focar em uma só coisa, não tinha como eu me destacar em nada mesmo. A prática leva a perfeição, né? Embora ainda acredite que algumas pessoas simplesmente nasceram pra certas coisas. Ah, bom, objetivo atingido. Oficializei um de meus pensamentos mais perturbadores ultimamente e me sinto melhorzinha. Por orgulho + manias, vou fazer o que não quero da vida. Mas eu quero tantas coisas, que cairia mais uma vez em contradição se acreditasse de fato nessa frase. ;] E o objetivo desse blog é pura publicação mesmo. Praticamente ninguém lê, mas a idéia de ser algo público dá uma impressãozinha de ter publicado meus sentimentos/pensamentos no jornal. E essa sensação é boa. Não é pra entenderem minhas palavras, é só pra estabilizar meu ego de quando em quando. Ah, fazia tempo que não escrevia assim. Senti saudades. Acarretadas a uma vontade imensa de continuar escrevendo. Mas saudades não é uma palavra que quero usar por uns tempos. Como dito antes, post escrito, publicado. Paz de espírito. Um pouquinho que seja. Missão cumprida.
ps: escrevi ontem, mas não consegui postar pela má vontade do uol ;_;